— Tudo bem, você ganhou, você ganhou! — dizia, entre risadas. O dragão levantou o rosto rapidamente e olhou para o lado, como se sentisse alguma presença diferente. Num salto, mergulhou para as folhas e se apoiou nas copas dos carvalhos e levantou voo. O mais alto que podia, até acima das nuvens. Ainda do chão, Oliver olhou para o alto e tentou localizar seu Salamence, mas ele já tinha sumido. — Droga.
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— Já é a terceira vez essa semana! — Oliver declarou, entrando na cozinha em fúria. Os pais se entre olharam, e o cumprimentaram com deboche:
— Bom dia para você também, Oliver. — Peter disse, abaixando o jornal que lia. Nada tinha melhorado em Unova, e agora a única revolução que existia fora extinta, pelo Alder em pessoa. Foram executados em praça pública, e pais obrigaram seus filhos a olhar os Herdier arrancarem as cabeças dos líderes, que queriam liberdade para seu povo, um modo de dizer como se sentiam, para que não morressem graças a coisas fúteis. Alder queria seu povo como robôs: obedecendo ordens e sem sentimentos. E estava conseguindo. A família Dubois era uma das poucas que ainda conversava entre si. Talvez as circunstâncias — alimentar um pokémon dragão que mantém ilegalmente, por exemplo — tivesse os forçado a fazê-lo, mas não há certeza nesse fato.
— Bom dia, pais. — Disse Lisa, agora com seus 9 anos, e Oliver com 14.
— Bom dia querida, está com fome? — Michael perguntou, esticando um iogurte para a garota. O irmão mais velho comia uma torrada com geleia, como fazia diariamente. — Oliver, explique de novo o que acontece com Drattak,
— O.k. — ele engoliu o pedaço de torrada que mastigava, e começou a explicar. — Ele olha para o lado, sempre na mesma direção — acrescentou — , e então levanta voo até acima das nuvens. Depois de algumas horas, aparece aqui no quintal de novo como se nada tivesse acontecido.
— Bom, que tal investigar esse local para onde ele olha, em primeiro lugar? — Peter sugeriu, sem parar sua leitura.
— Peter! — repreendeu Michael, não gostava de seu filho saindo por aí sem supervisão, embora soubesse que o garoto era astuto e não poderia ficar preso em casa até que as aulas voltassem. E não poderia impedi-lo, agora que o marido colocara a ideia em sua cabeça.
— Ótima ideia! — o garoto sorriu e devorou o resto de sua torrada. Então se levantou da cadeira, pegando a mochila que estava pronta na cadeira ao lado, com algumas pokébolas artesanais e suprimentos. Tinha tudo que precisava.
— Volte o mais rápido possível. — Michael pediu. Ver seu filho saindo todo dia e só voltando pela noite quebrava seu coração, mas ele confiava no garoto imensamente, e regava a esperança impossível de que ele podia ser a esperança de Unova, para que um dia ela possa voltar a ser um lugar aonde todos possam conviver ao lado dos pokémon, ao invés de teme-los. Ter a possibilidade de se comunicarem com seus familiares estrangeiros, fazer viagens, conhecer o mundo do lado de fora das Cortinas Prateadas, o nome dado para as fronteiras de Unova, pois todos que tentassem "espiar" por elas eram rapidamente mortos por balas de prata.
Oliver já estava no local aonde seu Salamence, Drattak, sumira pela última vez. E então foi na direção em que ele olhou antes de levantar voo. A floresta parecia escurecer a cada passo, e Oliver ouvia cada vez menos os pokémon da floresta, dando lugar ao som de seus pés afundando na grama úmida, um tipo de farfalhar. O cheiro de relva dá lugar ao cheiro da chuva misturado com o cheiro de um Stunky. Achou um monte de rochas empilhados, com um brilho esmeralda vindo de seu núcleo ao percorrer os glóbulos oculares por todo o seu arredor. As ruínas, cercadas por árvores torcidas, pareciam misteriosas, assustadoras. Nenhum pokémon ousava se aproximar, e este foi o erro de Oliver. Andar para o brilho e retirar uma esfera brilhante dali. Essa é a última coisa que Oliver se lembra antes de desmaiar.
Da escuridão, nasceram lembranças. O dia em que um velho invadiu sua casa e lhe entregou uma caixa com uma pokébola contendo um Bagon e uma pokédex. Treinou seu Bagon com pokémon da floresta, aprendeu a fabricar pokébolas a partir de frutas graças a Peter, que nascera em Azalea, Johto, e treinara essa habilidade com o grande mestre Kurt. Tinha alguns pokémon em sua "posse", um Patrat, apelidado carinhosamente de Watch, e uma Kingdra chamada Queen. Estão sempre na floresta, brincando e treinando com Oliver nos dias em que ele vai lá.
— Em pessoa! — respondeu, alegre. — Que bom que está vivo e meus curativos ajudaram um pouco. — Oliver olhou para seu peito, estava praticamente todo enfaixado.
— Vamos pousar e continuamos amanhã. — declarou, inclinando seu Braviary 45º para a esquerda e para baixo. Drattak o seguiu, e logo estavam acampando ao lado de uma montanha, no meio de um vale deserto.
— E meus pais?
— Já os contactei. — Nate disse, mostrando um telefone celular.
— Mas... como? Eles não tem celular nem nada!
— Agora tem. Passamos por lá antes de vir.
— E nem me acordou? Quando voltamos?
— Temo que não tão cedo.
— Mas...
— Confie em mim. — Nate piscou, e entrou na tenda que acabara de montar. Oliver se deitou ali fora, e olhou as estrelas até adormecer. Nate o carregou para dentro sem grandes dificuldades. Tomou cuidado com as costelas quebradas. A tenda era simples, feita de couro de Tauros, recheada de fotos e objetos que Nate reuniu especialmente para a jornada que teria que passar antes de enfrentar Alder e retomar seu posto, libertando Unova da tirania, acabando com o sangue derramado injustamente, sem julgamentos. Daria uma vida nobre para os pobres que eram exilados para as montanhas, e se tornavam selvagens com os índios que antes dominavam as terras que formam Unova.
E a partir daquela noite Oliver se tornou o discípulo de Nate, transformando o ano seguinte em um preenchido por treinamento e aprimoramento não só dos pokémon, mas também de Oliver, que foi ensinado por Nate em Jiu-jitsu Kantoniense. Por muitas vezes comiam frutas, pois não podiam arriscar comprar comida nas cidades grandes, ou até mesmo passar perto delas. Os treinamentos eram quase todas as vezes no vale deserto onde dormiram aquela primeira noite. Oliver deixou o cabelo crescer, pegaram Watcher e Queen na floresta aonde Oliver foi capturado por Alder alguns meses antes, e treinaram junto com eles também. Dias e noites com risadas e conversas ainda mais profundas. Oliver sentia alguma ligação com Nate, uma ligação fraternal ou até mesmo paternal. No ano seguinte, estavam prontos para agir contra Alder, e saíram numa busca por treinadores experientes para ajudá-los numa missão que definiria o futuro de Unova.
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Notas finais:
Teorias sobre Nate, Alder ou ano que Oliver passou treinando? Comentem, adoroestragar expectativas ver a criatividade de meus leitores rolando solta. É sério, acho que uma das partes mais divertidas de escrever é ver o que os leitores confabulam no meio de sua leitura, ver que base sua história dá para alguém, etc.
— Bom dia querida, está com fome? — Michael perguntou, esticando um iogurte para a garota. O irmão mais velho comia uma torrada com geleia, como fazia diariamente. — Oliver, explique de novo o que acontece com Drattak,
— O.k. — ele engoliu o pedaço de torrada que mastigava, e começou a explicar. — Ele olha para o lado, sempre na mesma direção — acrescentou — , e então levanta voo até acima das nuvens. Depois de algumas horas, aparece aqui no quintal de novo como se nada tivesse acontecido.
— Bom, que tal investigar esse local para onde ele olha, em primeiro lugar? — Peter sugeriu, sem parar sua leitura.
— Peter! — repreendeu Michael, não gostava de seu filho saindo por aí sem supervisão, embora soubesse que o garoto era astuto e não poderia ficar preso em casa até que as aulas voltassem. E não poderia impedi-lo, agora que o marido colocara a ideia em sua cabeça.
— Ótima ideia! — o garoto sorriu e devorou o resto de sua torrada. Então se levantou da cadeira, pegando a mochila que estava pronta na cadeira ao lado, com algumas pokébolas artesanais e suprimentos. Tinha tudo que precisava.
— Volte o mais rápido possível. — Michael pediu. Ver seu filho saindo todo dia e só voltando pela noite quebrava seu coração, mas ele confiava no garoto imensamente, e regava a esperança impossível de que ele podia ser a esperança de Unova, para que um dia ela possa voltar a ser um lugar aonde todos possam conviver ao lado dos pokémon, ao invés de teme-los. Ter a possibilidade de se comunicarem com seus familiares estrangeiros, fazer viagens, conhecer o mundo do lado de fora das Cortinas Prateadas, o nome dado para as fronteiras de Unova, pois todos que tentassem "espiar" por elas eram rapidamente mortos por balas de prata.
Oliver já estava no local aonde seu Salamence, Drattak, sumira pela última vez. E então foi na direção em que ele olhou antes de levantar voo. A floresta parecia escurecer a cada passo, e Oliver ouvia cada vez menos os pokémon da floresta, dando lugar ao som de seus pés afundando na grama úmida, um tipo de farfalhar. O cheiro de relva dá lugar ao cheiro da chuva misturado com o cheiro de um Stunky. Achou um monte de rochas empilhados, com um brilho esmeralda vindo de seu núcleo ao percorrer os glóbulos oculares por todo o seu arredor. As ruínas, cercadas por árvores torcidas, pareciam misteriosas, assustadoras. Nenhum pokémon ousava se aproximar, e este foi o erro de Oliver. Andar para o brilho e retirar uma esfera brilhante dali. Essa é a última coisa que Oliver se lembra antes de desmaiar.
Da escuridão, nasceram lembranças. O dia em que um velho invadiu sua casa e lhe entregou uma caixa com uma pokébola contendo um Bagon e uma pokédex. Treinou seu Bagon com pokémon da floresta, aprendeu a fabricar pokébolas a partir de frutas graças a Peter, que nascera em Azalea, Johto, e treinara essa habilidade com o grande mestre Kurt. Tinha alguns pokémon em sua "posse", um Patrat, apelidado carinhosamente de Watch, e uma Kingdra chamada Queen. Estão sempre na floresta, brincando e treinando com Oliver nos dias em que ele vai lá.
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Algo de metal gelado prendia as mãos de Oliver. Estava cercado por barras de ferro, estava enjaulado como um animal. Sentia calor vindo da superfície aonde estava sentado, e homens armados o cercavam. Olhou ao redor. Era um galpão, com uma ponte formando a parte superior em forma de H. Estava preso aparentemente por uma corrente, acima de algo quente. A porta se abriu, cortando o silêncio que estava no local, que era iluminado por grandes lâmpadas posicionadas abaixo da ponte. Ainda havia luz natural, que passava pelo vitral circular que estava bem acima da porta. Um homem de cabelos alaranjados entrou pela porta, seguido por um Bouffalant. Era Alder. Ele continuou calado quando os guardas se ajoelharam, e então os mandou levantar apenas balançando a mão, e sorriu com o canto da boca. Em um estalo de dedos, Drattak voou para dentro e libertou Oliver de suas jaulas com suas garras. O ruivo foi jogado para o outro lado do galpão, e viu seu pokémon lutar contra os guardas e seus pokémon, mas o maior desafio estava no Bouffalant. Só restavam eles de pokémon ali.
— Drattak! — chamou. Ele queria comandar seu pokémon para a vitória, mas o ar parecia escapar de seu peito, como um balão furado. Oliver pressionou sua mão contra algumas costelas, contou 3 quebradas. Lagrimas escorriam de seus olhos, mas ele não sabia por que. O cheiro de queimado irritava seu olfato, e sua visão estava turva. Por fim, o Bouffalant encurralou seu pokémon na parede e começou a acertá-lo com vários Head Charge seguidos. A força era tanta, que a parede de metal se amassava a cada ataque. — Fuja! — Oliver gritou, e então desmaiou novamente.
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Oliver sonhou que estava voando, até acordar e descobrir que não era um sonho. Pela primeira vez, Drattak estava carregando-o em suas costas, em pleno voo! Ao lado deste, estava um garoto de cabelos castanhos montado num Braviary, que parecia seguir na mesma direção, ou até mesmo liderar aquela "expedição". Oliver piscou uma vez, e então percebeu. Aquele era Nate White, que estava desaparecido há anos.
— N-nnate W-w-wwhite?!
— N-nnate W-w-wwhite?!
— Em pessoa! — respondeu, alegre. — Que bom que está vivo e meus curativos ajudaram um pouco. — Oliver olhou para seu peito, estava praticamente todo enfaixado.
— Vamos pousar e continuamos amanhã. — declarou, inclinando seu Braviary 45º para a esquerda e para baixo. Drattak o seguiu, e logo estavam acampando ao lado de uma montanha, no meio de um vale deserto.
— E meus pais?
— Já os contactei. — Nate disse, mostrando um telefone celular.
— Mas... como? Eles não tem celular nem nada!
— Agora tem. Passamos por lá antes de vir.
— E nem me acordou? Quando voltamos?
— Temo que não tão cedo.
— Mas...
— Confie em mim. — Nate piscou, e entrou na tenda que acabara de montar. Oliver se deitou ali fora, e olhou as estrelas até adormecer. Nate o carregou para dentro sem grandes dificuldades. Tomou cuidado com as costelas quebradas. A tenda era simples, feita de couro de Tauros, recheada de fotos e objetos que Nate reuniu especialmente para a jornada que teria que passar antes de enfrentar Alder e retomar seu posto, libertando Unova da tirania, acabando com o sangue derramado injustamente, sem julgamentos. Daria uma vida nobre para os pobres que eram exilados para as montanhas, e se tornavam selvagens com os índios que antes dominavam as terras que formam Unova.
E a partir daquela noite Oliver se tornou o discípulo de Nate, transformando o ano seguinte em um preenchido por treinamento e aprimoramento não só dos pokémon, mas também de Oliver, que foi ensinado por Nate em Jiu-jitsu Kantoniense. Por muitas vezes comiam frutas, pois não podiam arriscar comprar comida nas cidades grandes, ou até mesmo passar perto delas. Os treinamentos eram quase todas as vezes no vale deserto onde dormiram aquela primeira noite. Oliver deixou o cabelo crescer, pegaram Watcher e Queen na floresta aonde Oliver foi capturado por Alder alguns meses antes, e treinaram junto com eles também. Dias e noites com risadas e conversas ainda mais profundas. Oliver sentia alguma ligação com Nate, uma ligação fraternal ou até mesmo paternal. No ano seguinte, estavam prontos para agir contra Alder, e saíram numa busca por treinadores experientes para ajudá-los numa missão que definiria o futuro de Unova.
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Notas finais:
Teorias sobre Nate, Alder ou ano que Oliver passou treinando? Comentem, adoro
Gostei do capitulo 2, revelou que o que tinha naquela Pokeball na verdade era um Bagon que agora é um Salamence. Gostei da escolha dos nomes e ele tem Kingdra e Patrat é interessante, esses três Pokes combinados podem dar uma grande variação de jeitos para combater, sendo que o Oliver é um bom estrategista, pode tirar aproveito das habilidades de cada um dos 3 Pokes. ;u;
ResponderExcluirRegina Alder, é o mal em figura de gente. "Uma vez, ele me enjaulou. Isso foi irado!" - Oliver
Meio estranho o Nate ter voltado do nada sendo que estava desaparecido faz muito tempo, mas isso deve ter uma explicação ou na verdade ele nunca desapareceu, estava escondido esse tempo todo em algum lugar de Unova.
A Fanfic segue bem original e interessante, ansioso para mais. :P
Hellow, esta história está ficando mais interessante, finalmente você me deu um motivo para não gostar do regime do Alder, ao referir-se às pessoas como robôs sem sentimentos, isso não tinha ficado claro no primeiro capítulo e por isso não senti nenhuma razão para estar contra ele, que bom que você arrumou isso, agora sim entendo as motivações dos grupos revolucionários.
ResponderExcluirSobre o seu texto, ele está bem literário, talvez até um pouco demais, o que pode complicar a leitura quando você fizer um capítulo maior, arrisca-se a ficar um tanto massudo para ler, na minha opinião acho que você deveria aliviar um pouco mais o texto, não que ele seja mau, muito pelo contrário, é ótimo, mas o seu público é na maioria crianças dos dez aos catorze anos e ver algo tão literário os pode afastar.
O capítulo em si foi bem legal, aconteceu imensa coisa, embora um pouco apressado, você poderia ter explorado um pouco mais os meses antes do treino, ou mesmo quando ele se encontrou com o Nate, poderia ter aumentado um pouco o dialogo deles, os fazer conhecer melhor ou até mesmo os dois terem tido uma missão antes do ano de treinamento, algo como resgatar alguém ou mesmo recuperar um tesouro de uma velhinha random que foi roubada por um policia corrupto. Faltou um pouco de personalidade ao Nate, que, pelo que você contou, era alguém bastante famoso, temido até pelo próprio Alder e não senti muito isso, faltou algo para me interessar por ele.
Acho que é isso, sua história tem tudo para ter sucesso, só precisa de respirar e ter mais calma nos eventos, não está tentando ganhar a olimpiada :v
Anyway, bom trabalho =P
Continua ^^
Que bom que consegui mostrar algo ruim na ditadura de Alder, eu percebi que não tinha conseguido fazer isso no primeiro, portanto expliquei melhor no segundo.
ExcluirObrigado por esse toque, eu geralmente não sei como fazer cada texto, tenho bastante influência de Crônicas de Nárnia, uma história que me fascina até mesmo no modo em que foi escrita, e tento passar isso para meus textos, embora também ache que possa ficar massudo em algo maior. Vou tentar "tirar" um pouco disso e adotar algo mais simples, afinal, o último capítulo é o maior desses. ^^ Ainda estou procurando o estilo de texto em que eu mais me adapte, por isso as fanfics são um teste para isso, embora na maioria das vezes os meus leitores não falem muito sobre isso, então... obrigado por isso.
Sobre o Nate... bem, ele é bem misterioso, vou explorar isso mais um pouco no próximo, junto com o final. Tentei deixar essa fanfic bem simples, algo sem tantos detalhes no total, mostrar apenas alguns anos da história de Unova ficcional, tenho planos para fazer outras short-fics nesse mesmo universo, portanto não queria fechar logo um "padrão" para o universo.
Obrigado pelo comentário ^~^