sábado, 7 de janeiro de 2017

Uma carta de despedida.

   Aqui relato as aventuras vividas por mim, Kazuo Mestraz, e meus amigos, após sairmos vitoriosos de uma grande batalha contra um ser tão poderoso quanto o criador de tudo isso.

   Anos se passaram desde aquilo, e precisava encerrar minha grande jornada por esse mundo com algo realmente notável. Lutas vazias foram travadas, vidas inocentes foram perdidas, e isso eu nunca poderei recuperar. Mas posso cumprir seu desejo de vingança. Pela primeira vez, deixarei minha dita humildade de lado e subirei num pedestal. A corda está em minha frente, Kate numa viagem por Sinnoh com Silver, Crystal visitando os pais. Nada mais será como antes, eu espero, que de algum jeito, o fim de minha vida marque o fim de uma era.

   A era que começou naquele dia, o dia que eu embarquei para Hoenn. Era a primeira vez que eu via Silver e Kate depois de ter ganhado a Liga Kalos. As batalhas que tive para juntar as oito insígnias e me dignar a enfrentar a elite dos quatro, foram difíceis, mas me orgulho de cada segundo desde que pisei na Route 1. Mesmo que o amor de minha vida tenha ido para longe, mesmo que Crystal tentasse com todas as forças tapar o buraco que ela deixou, ela nunca conseguiria. Kate era mais do que especial. Vendo ela junto de Silver naquele dia, me abalou. Não podia fazer nada, de qualquer jeito. No mesmo dia, eu fui sequestrado, e arquitetei uma fuga. Quase morri naquele dia. Foi um dia bom.

   Amber, a ninfa, nos salvou e nos levou até o recanto sagrado de Celebi, uma gijinka incrivelmente poderosa que treinou Edward, o novo membro de nosso pequeno grupo de treinadores, e agora nos preparava para enfrentar uma grande ameaça. Mesmo com Giovani derrotado, ainda não era o fim. Precisava derrotar Yveltal, mas antes disso, todos os lendários que se aliaram a ele nesse meio tempo. Me uni com alguns líderes de ginásio, e enfrentei o que parecia ser meu maior desafio até agora. Mas não foi. Não importa o que digam, o maior desafio de Kazuo Mestraz foi cobrir um coração partido com vitórias vazias para um mundo que nunca mostrou algum interesse nele além das vitórias sobre treinadores que se diziam fortes, mas tão vazios quanto eu. Korbatso, outro de meus inimigos, foi na verdade todo esse tempo controlado por Chaos. Um verdadeiro idiota. Não importa o que eu lhes disse, sua morte foi um alívio para o mundo. Assim como a de todos aqueles deuses velhos. E agora, sem Chaos, o grande mal de todo o mundo, quem será o bem? Quem será o novo mal? Infelizmente não posso mais esperar ele se revelar. Contarei com vocês, Silver, Kate, Crystal, Edward e Amber, para acabar com ele. O mundo das almas perdidas não tem mais que me esperar.

    Meus pokémon já foram libertados, contra sua própria vontade, mas era melhor para eles do que apodrecer numa pokébola. Chaz foi um grande amigo, com certeza, me ajudou desde o início. Fui destinado a Pidgeot, que entrou numa pokébola acidentalmente. Pachi foi a companhia mais divertida que já tive, e me alegrou nos piores momentos. Fraxure sempre foi meu pokémon mais forte, e sempre me ajudou. Espero que ele continue ajudando o mundo, outros treinadores. Para Kate, o beijo que nunca consegui dar. Para Silver, o gosto de vitória que ele nunca sentirá. E para Crystal, o meu mais sincero agradecimento.

Ass. Kazuo Mestraz

   Silver foi o primeiro a ler a carta. Não podia entender o que estava acontecendo, embora parecesse óbvio. A corda estava totalmente presa, e o banco virado. Mas não havia corpo. Kazuo Mestraz, julgado por todos o herói do mundo, foi covarde para esperar a morte. "Sempre mais rápido que o próprio tempo." Brincava Silver, antes que aquilo se tornasse realmente real. Kate não podia entender, e chorou por semanas até que finalmente compreendeu. Mas Crystal... nunca derramou uma única lágrima para Kazuo. Sem corpo, ela não acreditava em sua morte. Kazuo sempre dava um jeito.

E talvez estivesse certa.

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