Primeiro
Um dia frio de inverno transformara as ruas asfaltadas de Unova em um grande monte branco de neve. Apesar das principais rodovias estarem limpas, as "menos importantes", como dizia Alder, o campeão e líder autoritário da região. Era odiado pela população, mas de acordo com a constituição vigente, apenas um treinador que o derrotasse numa batalha pokémon poderia tomar seu lugar. Caso Alder morresse, uma nova Liga Pokémon seria convocada. Até isso acontecer, os ginásios estavam proibidos, tal como batalhar com pokémon ou até mesmo possuir um sem a documentação exigida e o carimbo de Alder, o que tornava impossível tomar seu posto.
Quatro treinadores que antes lideravam com ele — A famosa elite dos quatro — sumiram misteriosamente logo após ele anunciar a ditadura absolutista. Agora, comandando toda uma região sem rédeas ou algo que impedisse seu poder, a população vivia sem representatividade política, portanto inútil em todas as situações. Viviam bem economicamente e socialmente, estavam seguros em suas casas, mas não tinham liberdade de expressão, ou liberdade para nada. Quase tudo que pudesse indicar uma revolução era logo exterminado por algum fator. Alguns diziam que Alder era uma marionete de uma organização ainda maior, essas pessoas eram amigos, conhecidos e/ou admiradores de Nate White, o ex-campeão que sumiu logo após ser derrotado por Alder. Suas últimas palavras para qualquer um foram as mais misteriosas possível. "Até a escuridão tem algo mais escuro no fundo" disse para sua melhor amiga, Rosa, numa noite, escondidos dos policiais. Rosa agora liderava uma força-tarefa revolucionária, a única que ainda existia. Alder sabia que seria inútil lutar contra alguém como Rosa, ela nunca desistiria, e matá-la só atiçaria a população. Não existia mais comunicação com outras regiões, as poucas que podiam fazer eram via cartas, e todas eram interceptadas. Não tinha como sair ou entrar ali, os que estavam fora não sabia o que acontecia dentro, e vice-versa. As exportações de Unova nunca foram tão prósperas: Com Hoenn passando por uma crise, pois todos os peixes de seu litoral estavam sendo mortos por um pokémon misterioso, o mercado marítimo estava prosperando para Unova, que ganhava muito dinheiro com a venda de pokémon raros. Sem batalhas, era desnecessário gastar quantias exorbitantes com torneios e outras coisas patrocinadas.
O cenário que parecia sombrio para Unova mudou quando surgiram rumores de que um misterioso homem estava treinando para enfrentar Alder, a população finalmente pode esboçar um sorriso, mas foram poucos. Alguns já perderam a esperança, após tantas falhas, e torciam para que Alder caísse da escada ou que seu carro capotasse numa das vias cobertas por neve. Voltando a história, todos estavam em suas casas, famílias ao redor de lareiras se aquecendo e tomando chocolate quente, tentando sintonizar algo no rádio, pois televisões ou qualquer outra forma de vídeo que pudesse ser interceptada por terceiros eram ilegais também. Tudo começa numa casa como as outras de Driftveil, feita de madeira de pinheiro, que parecia tremer de frio como as pessoas que se abrigavam dentro dela, a família Dubois, constituída por dois homens adultos e um casal de filhos, um garoto de 11 chamado Oliver e uma garota de 6 chamada Lisa. Os pais estavam sentados em poltronas colocadas juntas do lado do sofá, que era o palco das brincadeiras dos irmãos. Os pais, Michael e Peter, liam livros, enquanto os filhos se contentavam com seus brinquedos. Sem tecnologia, Oliver recorria à carros e aviões, que continuavam divertindo-o mesmo depois de tantos anos. Não temia as críticas, este era ele, um adolescente que criava histórias com suas réplicas de caças e carros de corrida. Uma lareira crepitava no centro, e tudo estava em paz, até que a campainha tocou: algo que não acontecia há muito tempo, portanto o visitante teve que apertá-la algumas vezes até que fosse conveniente para o botão emitir seu barulho agora incomum aos ouvidos dos moradores.
— Microondas? — perguntou Michael, coçando sua barba ruiva sem tirar os olhos do livro que lia. Peter estranhou o barulho também, mas não o achava parecido com o do microondas.
— Não, isto me lembra mais a geladeira quando a energia cai. — mas a energia parecia continuar ali, Oliver checou acendendo o interruptor da sala, que estava ao seu alcance. A campainha soou outra vez, e agora a garotinha tinha certeza, pois nada enganaria seus ouvidos jovens: era a campainha. Saltou por cima do encosto do sofá, alertando os pais, e correu desengonçadamente até a porta, a abrindo sem nem girar a chave, pois não precisavam de segurança extra já que a criminalidade de Unova era próxima de 0%. Um velho barrigudo estava na porta, enrolando o bigode grisalho e se apoiando numa bengala velha.
— Olá garotinha, seus pais estão? — O velho rechonchudo perguntou, inclinando um pouco a cabeça. Michael logo veio ao resgate e colocou a garota no colo. Peter vinha logo atrás, mas caminhava devagar. Oliver levantou a cabeça pelo encosto do sofá e apenas aguçou os ouvidos para ouvir.
— Em que podemos ajudar? — Michael perguntou, tirando o óculos e o prendendo em seu colete de lã. Peter chegou finalmente até a porta, e se posicionou um pouco atrás do marido, o suficiente para olhar o velho que cobria boa parte da visão que o arco da porta os proporcionava. O velho inclinou a cabeça para dentro da casa e olhou para os dois lados, e ao ver Oliver, deslizou para dentro. Peter já colocara a cabeça para fora da porta, pronto para gritar por policiais, mas o velho puxou uma caixa azulada de dentro do casaco e entregou para Oliver, que se aproximara. Peter já tinha alertado os policiais, que agora se aproximavam montados em Herdier e Stoutland. O velho saiu tão rápido quanto entrou e sumiu dali graças ao teleporte de seu pokémon. Os pokémon normal-type colidiram, e após os pais de Oliver explicarem o que aconteceu — ocultando a parte da caixa, pois nem se lembravam disso — fecharam a porta e se sentaram a mesa para o jantar. Aquela "brincadeira" durara a tarde toda. Oliver tinha escondido a caixa em seu quarto, embaixo de sua cama. O garoto não disse nada durante o jantar, e depois subiu as escadas de dois em dois degraus. Os pais se entreolharam, um deles teria que falar com o filho.
Não era algo normal para Oliver ficar muito tempo calado, sempre fazia comentários engraçados e divertia a família, mesmo em momentos tensos. Era muito otimista, não importando a situação. Poucas vezes se mostrava sério, mas, nesses momentos, se tornava um exímio estrategista. Em torneios de xadrez, quais compete desde seus 6 anos de idade, quase sempre ganhava, a não ser quando subestimava seu inimigo. Não se importava de perder, contanto que tenha se divertido, estava bom. Por isso parou de competir: perdeu a graça, descobriu suas próprias falhas e as reparou, se tornando assim invencível na arte do enxadrismo. Abriu a porta do quarto, acendeu a luz e trancou a porta. Deslizou para perto da cama e puxou a caixa de lá, coberta pelas pontas do lençol que cobriam sua cama e ocultava tudo entre o chão e o colchão. Abriu a caixa sem muita dificuldade. O que viu fez seus olhos brilharem de alegria.
A caixa azul abrigava um travesseiro adornado que segurava uma pokéball vermelha reluzente, e ao seu lado um dispositivo que Oliver logo reconheceu como uma Pokédex, mas diferente de todas as já produzidas — o garoto sabia todas de cor, estudara os livros antigos e as biografias dos grandes Pokémon Heroes¹. Quando Oliver estava pronto para usar a pokébola e ver qual pokémon ela continha, Michael entrou no quarto.
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¹ Pokémon Heroes é o nome atribuído aos grandes treinadores do mundo pokémon, Kazuo Mestraz, Kevin "Silver" Guillard, Crystal Paladin e Katherine Kimura. Suas histórias estão contidas na fanfic "Pokémon Heroes", postada neste blog.
Gostei bastante dessa história cheia de mistério e um mundo Pokémon bem diferente com todo essa ditadura. Já estou ansioso pelo próximo capitulo para saber qual Pokémon está dentro daquela Pokébola ^^
ResponderExcluirUm belo plot, um belo começo. Mas preciso listar algo que me incomodou sinceramente nesta leitura: Sua escrita parecia vaga, como se não fluísse ou se conectassem uma parte à outra. Não sei o que houve, mas ficou um tanto claro que não há tanta qualidade no fluir dessa historia como nas de sempre. Pode ser apenas impressão, mas tive de comentar.
ResponderExcluirGosto do ambiente que foi criado, acho que detalhes como as habilidades do rapaz no xadrez nos situam em como ele seria sendo um treinador - portanto tambem podia tê-los dado mais detalhes e prolongamento.
Bem, em suma, gosto e espero os proximos.
Sai Michael, deixa o garoto usar a pokeball. >< Vai que tem um Oshawott dentro, ou um Darumaka, um lendário quem sabe, talvez até um celular pra ele jogar Pokemon GO e... Ops, serviços dores caíram.
ResponderExcluirMe senti na aula de história de Kleber, usou várias palavras que ele geralmente usa em aula. ;u; Não que seja ruim, gostei de como essa história começou e espero um ótimo plot. Maaaaasss, acho que faltou alguma coisa, uma pitada de sal para tudo ficar ótimo.
Vai ser interessante ver como você vai conduzir essa história, Unova é uma região tão boa, com várias lendas e tals. :3 Aqui vemos uma Unova em crise, onde o Campeão é como um rei tirano e absolutista(referências). Ansioso para o segundo cap. :3
Sai Michael, deixa o garoto usar a pokeball. >< Vai que tem um Oshawott dentro, ou um Darumaka, um lendário quem sabe, talvez até um celular pra ele jogar Pokemon GO e... Ops, serviços dores caíram.
ResponderExcluirMe senti na aula de história de Kleber, usou várias palavras que ele geralmente usa em aula. ;u; Não que seja ruim, gostei de como essa história começou e espero um ótimo plot. Maaaaasss, acho que faltou alguma coisa, uma pitada de sal para tudo ficar ótimo.
Vai ser interessante ver como você vai conduzir essa história, Unova é uma região tão boa, com várias lendas e tals. :3 Aqui vemos uma Unova em crise, onde o Campeão é como um rei tirano e absolutista(referências). Ansioso para o segundo cap. :3
Alder Trump no poder, hail Alder! senhor absoluto de Unova! Se vivem bem economicamente e estão seguros em casa para que querem a liberdade de expressão? Para falarem bosta no twitter e fazer manifestações porque se acham vítimas de algo e querem culpar os outros pelo que aconteceu à 500 anos, quando nem sequer eram nascidos?
ResponderExcluirAdorei o primeiro capítulo, você deu um tom de realismo à história que não parece muito diferente do que vivemos hoje em dia, gostei bastante disso, mas aqui vou ficar do lado dos "vilões" que para mim não são vilões, já que deixam a população segura e apenas eliminam quem os afronta, como qualquer rei faria.
Espero que continue ^^