sábado, 7 de janeiro de 2017

Uma carta de despedida.

   Aqui relato as aventuras vividas por mim, Kazuo Mestraz, e meus amigos, após sairmos vitoriosos de uma grande batalha contra um ser tão poderoso quanto o criador de tudo isso.

   Anos se passaram desde aquilo, e precisava encerrar minha grande jornada por esse mundo com algo realmente notável. Lutas vazias foram travadas, vidas inocentes foram perdidas, e isso eu nunca poderei recuperar. Mas posso cumprir seu desejo de vingança. Pela primeira vez, deixarei minha dita humildade de lado e subirei num pedestal. A corda está em minha frente, Kate numa viagem por Sinnoh com Silver, Crystal visitando os pais. Nada mais será como antes, eu espero, que de algum jeito, o fim de minha vida marque o fim de uma era.

   A era que começou naquele dia, o dia que eu embarquei para Hoenn. Era a primeira vez que eu via Silver e Kate depois de ter ganhado a Liga Kalos. As batalhas que tive para juntar as oito insígnias e me dignar a enfrentar a elite dos quatro, foram difíceis, mas me orgulho de cada segundo desde que pisei na Route 1. Mesmo que o amor de minha vida tenha ido para longe, mesmo que Crystal tentasse com todas as forças tapar o buraco que ela deixou, ela nunca conseguiria. Kate era mais do que especial. Vendo ela junto de Silver naquele dia, me abalou. Não podia fazer nada, de qualquer jeito. No mesmo dia, eu fui sequestrado, e arquitetei uma fuga. Quase morri naquele dia. Foi um dia bom.

   Amber, a ninfa, nos salvou e nos levou até o recanto sagrado de Celebi, uma gijinka incrivelmente poderosa que treinou Edward, o novo membro de nosso pequeno grupo de treinadores, e agora nos preparava para enfrentar uma grande ameaça. Mesmo com Giovani derrotado, ainda não era o fim. Precisava derrotar Yveltal, mas antes disso, todos os lendários que se aliaram a ele nesse meio tempo. Me uni com alguns líderes de ginásio, e enfrentei o que parecia ser meu maior desafio até agora. Mas não foi. Não importa o que digam, o maior desafio de Kazuo Mestraz foi cobrir um coração partido com vitórias vazias para um mundo que nunca mostrou algum interesse nele além das vitórias sobre treinadores que se diziam fortes, mas tão vazios quanto eu. Korbatso, outro de meus inimigos, foi na verdade todo esse tempo controlado por Chaos. Um verdadeiro idiota. Não importa o que eu lhes disse, sua morte foi um alívio para o mundo. Assim como a de todos aqueles deuses velhos. E agora, sem Chaos, o grande mal de todo o mundo, quem será o bem? Quem será o novo mal? Infelizmente não posso mais esperar ele se revelar. Contarei com vocês, Silver, Kate, Crystal, Edward e Amber, para acabar com ele. O mundo das almas perdidas não tem mais que me esperar.

    Meus pokémon já foram libertados, contra sua própria vontade, mas era melhor para eles do que apodrecer numa pokébola. Chaz foi um grande amigo, com certeza, me ajudou desde o início. Fui destinado a Pidgeot, que entrou numa pokébola acidentalmente. Pachi foi a companhia mais divertida que já tive, e me alegrou nos piores momentos. Fraxure sempre foi meu pokémon mais forte, e sempre me ajudou. Espero que ele continue ajudando o mundo, outros treinadores. Para Kate, o beijo que nunca consegui dar. Para Silver, o gosto de vitória que ele nunca sentirá. E para Crystal, o meu mais sincero agradecimento.

Ass. Kazuo Mestraz

   Silver foi o primeiro a ler a carta. Não podia entender o que estava acontecendo, embora parecesse óbvio. A corda estava totalmente presa, e o banco virado. Mas não havia corpo. Kazuo Mestraz, julgado por todos o herói do mundo, foi covarde para esperar a morte. "Sempre mais rápido que o próprio tempo." Brincava Silver, antes que aquilo se tornasse realmente real. Kate não podia entender, e chorou por semanas até que finalmente compreendeu. Mas Crystal... nunca derramou uma única lágrima para Kazuo. Sem corpo, ela não acreditava em sua morte. Kazuo sempre dava um jeito.

E talvez estivesse certa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Segundo

   O sol já nascera há alguns minutos, e agora seus raios passavam pelos galhos cobertos de folhas e tocavam os troncos e o solo da floresta por qual uma sombra passava rapidamente. Um garoto andava atento aos sons, os arbustos se quebrando com o piso da fera, a respiração ofegante, sua forma era dinâmica, e fazia o vento zunir ao passar num exato círculo ao redor do local aonde o garoto de cabelos laranja tentava se proteger, subindo numa árvore. Então a fera saltou, encostou suas garras nos ombros do treinador e lambeu seu rosto assim que suas costas bateram no chão. Sua cauda entortou duas árvores paralelas apenas com a força de um balançar, e o garoto ria:

— Tudo bem, você ganhou, você ganhou! — dizia, entre risadas. O dragão levantou o rosto rapidamente e olhou para o lado, como se sentisse alguma presença diferente. Num salto, mergulhou para as folhas e se apoiou nas copas dos carvalhos e levantou voo. O mais alto que podia, até acima das nuvens. Ainda do chão, Oliver olhou para o alto e tentou localizar seu Salamence, mas ele já tinha sumido. — Droga.


+++++

— Já é a terceira vez essa semana! — Oliver declarou, entrando na cozinha em fúria. Os pais se entre olharam, e o cumprimentaram com deboche:

— Bom dia para você também, Oliver. — Peter disse, abaixando o jornal que lia. Nada tinha melhorado em Unova, e agora a única revolução que existia fora extinta, pelo Alder em pessoa. Foram executados em praça pública, e pais obrigaram seus filhos a olhar os Herdier arrancarem as cabeças dos líderes, que queriam liberdade para seu povo, um modo de dizer como se sentiam, para que não morressem graças a coisas fúteis. Alder queria seu povo como robôs: obedecendo ordens e sem sentimentos. E estava conseguindo. A família Dubois era uma das poucas que ainda conversava entre si. Talvez as circunstâncias — alimentar um pokémon dragão que mantém ilegalmente, por exemplo — tivesse os forçado a fazê-lo, mas não há certeza nesse fato.

— Bom dia, pais. — Disse Lisa, agora com seus 9 anos, e Oliver com 14.

— Bom dia querida, está com fome? — Michael perguntou, esticando um iogurte para a garota. O irmão mais velho comia uma torrada com geleia, como fazia diariamente. — Oliver, explique de novo o que acontece com Drattak,

— O.k. — ele engoliu o pedaço de torrada que mastigava, e começou a explicar. — Ele olha para o lado, sempre na mesma direção — acrescentou — , e então levanta voo até acima das nuvens. Depois de algumas horas, aparece aqui no quintal de novo como se nada tivesse acontecido.

— Bom, que tal investigar esse local para onde ele olha, em primeiro lugar? — Peter sugeriu, sem parar sua leitura.

— Peter! — repreendeu Michael, não gostava de seu filho saindo por aí sem supervisão, embora soubesse que o garoto era astuto e não poderia ficar preso em casa até que as aulas voltassem. E não poderia impedi-lo, agora que o marido colocara a ideia em sua cabeça.



— Ótima ideia! — o garoto sorriu e devorou o resto de sua torrada. Então se levantou da cadeira, pegando a mochila que estava pronta na cadeira ao lado, com algumas pokébolas artesanais e suprimentos. Tinha tudo que precisava.

— Volte o mais rápido possível. — Michael pediu. Ver seu filho saindo todo dia e só voltando pela noite quebrava seu coração, mas ele confiava no garoto imensamente, e regava a esperança impossível de que ele podia ser a esperança de Unova, para que um dia ela possa voltar a ser um lugar aonde todos possam conviver ao lado dos pokémon, ao invés de teme-los. Ter a possibilidade de se comunicarem com seus familiares estrangeiros, fazer viagens, conhecer o mundo do lado de fora das Cortinas Prateadas, o nome dado para as fronteiras de Unova, pois todos que tentassem "espiar" por elas eram rapidamente mortos por balas de prata.
   Oliver já estava no local aonde seu Salamence, Drattak, sumira pela última vez. E então foi na direção em que ele olhou antes de levantar voo. A floresta parecia escurecer a cada passo, e Oliver ouvia cada vez menos os pokémon da floresta, dando lugar ao som de seus pés afundando na grama úmida, um tipo de farfalhar. O cheiro de relva dá lugar ao cheiro da chuva misturado com o cheiro de um Stunky. Achou um monte de rochas empilhados, com um brilho esmeralda vindo de seu núcleo ao percorrer os glóbulos oculares por todo o seu arredor. As ruínas, cercadas por árvores torcidas, pareciam misteriosas, assustadoras. Nenhum pokémon ousava se aproximar, e este foi o erro de Oliver. Andar para o brilho e retirar uma esfera brilhante dali. Essa é a última coisa que Oliver se lembra antes de desmaiar. 
   Da escuridão, nasceram lembranças. O dia em que um velho invadiu sua casa e lhe entregou uma caixa com uma pokébola contendo um Bagon e uma pokédex. Treinou seu Bagon com pokémon da floresta, aprendeu a fabricar pokébolas a partir de frutas graças a Peter, que nascera em Azalea, Johto, e treinara essa habilidade com o grande mestre Kurt. Tinha alguns pokémon em sua "posse", um Patrat, apelidado carinhosamente de Watch, e uma Kingdra chamada Queen. Estão sempre na floresta, brincando e treinando com Oliver nos dias em que ele vai lá.


+++++

Algo de metal gelado prendia as mãos de Oliver. Estava cercado por barras de ferro, estava enjaulado como um animal. Sentia calor vindo da superfície aonde estava sentado, e homens armados o cercavam. Olhou ao redor. Era um galpão, com uma ponte formando a parte superior em forma de H. Estava preso aparentemente por uma corrente, acima de algo quente. A porta se abriu, cortando o silêncio que estava no local, que era iluminado por grandes lâmpadas posicionadas abaixo da ponte. Ainda havia luz natural, que passava pelo vitral circular que estava bem acima da porta. Um homem de cabelos alaranjados entrou pela porta, seguido por um Bouffalant. Era Alder. Ele continuou calado quando os guardas se ajoelharam, e então os mandou levantar apenas  balançando a mão, e sorriu com o canto da boca. Em um estalo de dedos, Drattak voou para dentro e libertou Oliver de suas jaulas com suas garras. O ruivo foi jogado para o outro lado do galpão, e viu seu pokémon lutar contra os guardas e seus pokémon, mas o maior desafio estava no Bouffalant. Só restavam eles de pokémon ali.

— Drattak! — chamou. Ele queria comandar seu pokémon para a vitória, mas o ar parecia escapar de seu peito, como um balão furado. Oliver pressionou sua mão contra algumas costelas, contou 3 quebradas. Lagrimas escorriam de seus olhos, mas ele não sabia por que. O cheiro de queimado irritava seu olfato, e sua visão estava turva. Por fim, o Bouffalant encurralou seu pokémon na parede e começou a acertá-lo com vários Head Charge seguidos. A força era tanta, que a parede de metal se amassava a cada ataque. — Fuja! — Oliver gritou, e então desmaiou novamente.

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Oliver sonhou que estava voando, até acordar e descobrir que não era um sonho. Pela primeira vez, Drattak estava carregando-o em suas costas, em pleno voo! Ao lado deste, estava um garoto de cabelos castanhos montado num Braviary, que parecia seguir na mesma direção, ou até mesmo liderar aquela "expedição". Oliver piscou uma vez, e então percebeu. Aquele era Nate White, que estava desaparecido há anos.

— N-nnate W-w-wwhite?! 

— Em pessoa! — respondeu, alegre. — Que bom que está vivo e meus curativos ajudaram um pouco. — Oliver olhou para seu peito, estava praticamente todo enfaixado.

— Vamos pousar e continuamos amanhã. — declarou, inclinando seu Braviary 45º para a esquerda e para baixo. Drattak o seguiu, e logo estavam acampando ao lado de uma montanha, no meio de um vale deserto.

— E meus pais? 

— Já os contactei. — Nate disse, mostrando um telefone celular.

— Mas... como? Eles não tem celular nem nada!

— Agora tem. Passamos por lá antes de vir.

— E nem me acordou? Quando voltamos?

— Temo que não tão cedo.

— Mas...




— Confie em mim. — Nate piscou, e entrou na tenda que acabara de montar. Oliver se deitou ali fora, e olhou as estrelas até adormecer. Nate o carregou para dentro sem grandes dificuldades. Tomou cuidado com as costelas quebradas. A tenda era simples, feita de couro de Tauros, recheada de fotos e objetos que Nate reuniu especialmente para a jornada que teria que passar antes de enfrentar Alder e retomar seu posto, libertando Unova da tirania, acabando com o sangue derramado injustamente, sem julgamentos. Daria uma vida nobre para os pobres que eram exilados para as montanhas, e se tornavam selvagens com os índios que antes dominavam as terras que formam Unova.
  E a partir daquela noite Oliver se tornou o discípulo de Nate, transformando o ano seguinte em um preenchido por treinamento e aprimoramento não só dos pokémon, mas também de Oliver, que foi ensinado por Nate em Jiu-jitsu Kantoniense. Por muitas vezes comiam frutas, pois não podiam arriscar comprar comida nas cidades grandes, ou até mesmo passar perto delas. Os treinamentos eram quase todas as vezes no vale deserto onde dormiram aquela primeira noite. Oliver deixou o cabelo crescer, pegaram Watcher e Queen na floresta aonde Oliver foi capturado por Alder alguns meses antes, e treinaram junto com eles também. Dias e noites com risadas e conversas ainda mais profundas. Oliver sentia alguma ligação com Nate, uma ligação fraternal ou até mesmo paternal. No ano seguinte, estavam prontos para agir contra Alder, e saíram numa busca por treinadores experientes para ajudá-los numa missão que definiria o futuro de Unova.

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Notas finais:  

Teorias sobre Nate, Alder ou ano que Oliver passou treinando? Comentem, adoro estragar expectativas ver a criatividade de meus leitores rolando solta. É sério, acho que uma das partes mais divertidas de escrever é ver o que os leitores confabulam no meio de sua leitura, ver que base sua história dá para alguém, etc.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Primeiro


Primeiro

Um dia frio de inverno transformara as ruas asfaltadas de Unova em um grande monte branco de neve. Apesar das principais rodovias estarem limpas, as "menos importantes", como dizia Alder, o campeão e líder autoritário da região. Era odiado pela população, mas de acordo com a constituição vigente, apenas um treinador que o derrotasse numa batalha pokémon poderia tomar seu lugar. Caso Alder morresse, uma nova Liga Pokémon seria convocada. Até isso acontecer, os ginásios estavam proibidos, tal como batalhar com pokémon ou até mesmo possuir um sem a documentação exigida e o carimbo de Alder, o que tornava impossível tomar seu posto.
   Quatro treinadores que antes lideravam com ele — A famosa elite dos quatro — sumiram misteriosamente logo após ele anunciar a ditadura absolutista. Agora, comandando toda uma região sem rédeas ou algo que impedisse seu poder, a população vivia sem representatividade política, portanto inútil em todas as situações. Viviam bem economicamente e socialmente, estavam seguros em suas casas, mas não tinham liberdade de expressão, ou liberdade para nada. Quase tudo que pudesse indicar uma revolução era logo exterminado por algum fator. Alguns diziam que Alder era uma marionete de uma organização ainda maior, essas pessoas eram amigos, conhecidos e/ou admiradores de Nate White, o ex-campeão que sumiu logo após ser derrotado por Alder. Suas últimas palavras para qualquer um foram as mais misteriosas possível. "Até a escuridão tem algo mais escuro no fundo" disse para sua melhor amiga, Rosa, numa noite, escondidos dos policiais. Rosa agora liderava uma força-tarefa revolucionária, a única que ainda existia. Alder sabia que seria inútil lutar contra alguém como Rosa, ela nunca desistiria, e matá-la só atiçaria a população. Não existia mais comunicação com outras regiões, as poucas que podiam fazer eram via cartas, e todas eram interceptadas. Não tinha como sair ou entrar ali, os que estavam fora não sabia o que acontecia dentro, e vice-versa. As exportações de Unova nunca foram tão prósperas: Com Hoenn passando por uma crise, pois todos os peixes de seu litoral estavam sendo mortos por um pokémon misterioso, o mercado marítimo estava prosperando para Unova, que ganhava muito dinheiro com a venda de pokémon raros. Sem batalhas, era desnecessário gastar quantias exorbitantes com torneios e outras coisas patrocinadas. 
   O cenário que parecia sombrio para Unova mudou quando surgiram rumores de que um misterioso homem estava treinando para enfrentar Alder, a população finalmente pode esboçar um sorriso, mas foram poucos. Alguns já perderam a esperança, após tantas falhas, e torciam para que Alder caísse da escada ou que seu carro capotasse numa das vias cobertas por neve. Voltando a história, todos estavam em suas casas, famílias ao redor de lareiras se aquecendo e tomando chocolate quente, tentando sintonizar algo no rádio, pois televisões ou qualquer outra forma de vídeo que pudesse ser interceptada por terceiros eram ilegais também. Tudo começa numa casa como as outras de Driftveil, feita de madeira de pinheiro, que parecia tremer de frio como as pessoas que se abrigavam dentro dela, a família Dubois, constituída por dois homens adultos e um casal de filhos, um garoto de 11 chamado Oliver e uma garota de 6 chamada Lisa. Os pais estavam sentados em poltronas colocadas juntas do lado do sofá, que era o palco das brincadeiras dos irmãos. Os pais, Michael e Peter, liam livros, enquanto os filhos se contentavam com seus brinquedos. Sem tecnologia, Oliver recorria à carros e aviões, que continuavam divertindo-o mesmo depois de tantos anos. Não temia as críticas, este era ele, um adolescente que criava histórias com suas réplicas de caças e carros de corrida. Uma lareira crepitava no centro, e tudo estava em paz, até que a campainha tocou: algo que não acontecia há muito tempo, portanto o visitante teve que apertá-la algumas vezes até que fosse conveniente para o botão emitir seu barulho agora incomum aos ouvidos dos moradores.

— Microondas? — perguntou Michael, coçando sua barba ruiva sem tirar os olhos do livro que lia. Peter estranhou o barulho também, mas não o achava parecido com o do microondas.

— Não, isto me lembra mais a geladeira quando a energia cai. — mas a energia parecia continuar ali, Oliver checou acendendo o interruptor da sala, que estava ao seu alcance. A campainha soou outra vez, e agora a garotinha tinha certeza, pois nada enganaria seus ouvidos jovens: era a campainha. Saltou por cima do encosto do sofá, alertando os pais, e correu desengonçadamente até a porta, a abrindo sem nem girar a chave, pois não precisavam de segurança extra já que a criminalidade de Unova era próxima de 0%. Um velho barrigudo estava na porta, enrolando o bigode grisalho e se apoiando numa bengala velha.

— Olá garotinha, seus pais estão? — O velho rechonchudo perguntou, inclinando um pouco a cabeça. Michael logo veio ao resgate e colocou a garota no colo. Peter vinha logo atrás, mas caminhava devagar. Oliver levantou a cabeça pelo encosto do sofá e apenas aguçou os ouvidos para ouvir.

— Em que podemos ajudar? — Michael perguntou, tirando o óculos e o prendendo em seu colete de lã. Peter chegou finalmente até a porta, e se posicionou um pouco atrás do marido, o suficiente para olhar o velho que cobria boa parte da visão que o arco da porta os proporcionava. O velho inclinou a cabeça para dentro da casa e olhou para os dois lados, e ao ver Oliver, deslizou para dentro. Peter já colocara a cabeça para fora da porta, pronto para gritar por policiais, mas o velho puxou uma caixa azulada de dentro do casaco e entregou para Oliver, que se aproximara. Peter já tinha alertado os policiais, que agora se aproximavam montados em Herdier e Stoutland. O velho saiu tão rápido quanto entrou e sumiu dali graças ao teleporte de seu pokémon. Os pokémon normal-type colidiram, e após os pais de Oliver explicarem o que aconteceu — ocultando a parte da caixa, pois nem se lembravam disso — fecharam a porta e se sentaram a mesa para o jantar. Aquela "brincadeira" durara a tarde toda. Oliver tinha escondido a caixa em seu quarto, embaixo de sua cama. O garoto não disse nada durante o jantar, e depois subiu as escadas de dois em dois degraus. Os pais se entreolharam, um deles teria que falar com o filho. 
   Não era algo normal para Oliver ficar muito tempo calado, sempre fazia comentários engraçados e divertia a família, mesmo em momentos tensos. Era muito otimista, não importando a situação. Poucas vezes se mostrava sério, mas, nesses momentos, se tornava um exímio estrategista. Em torneios de xadrez, quais compete desde seus 6 anos de idade, quase sempre ganhava, a não ser quando subestimava seu inimigo. Não se importava de perder, contanto que tenha se divertido, estava bom. Por isso parou de competir: perdeu a graça, descobriu suas próprias falhas e as reparou, se tornando assim invencível na arte do enxadrismo. Abriu a porta do quarto, acendeu a luz e trancou a porta. Deslizou para perto da cama e puxou a caixa de lá, coberta pelas pontas do lençol que cobriam sua cama e ocultava tudo entre o chão e o colchão. Abriu a caixa sem muita dificuldade. O que viu fez seus olhos brilharem de alegria. 
   A caixa azul abrigava um travesseiro adornado que segurava uma pokéball vermelha reluzente, e ao seu lado um dispositivo que Oliver logo reconheceu como uma Pokédex, mas diferente de todas as já produzidas — o garoto sabia todas de cor, estudara os livros antigos e as biografias dos grandes Pokémon Heroes¹. Quando Oliver estava pronto para usar a pokébola e ver qual pokémon ela continha, Michael entrou no quarto.

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¹ Pokémon Heroes é o nome atribuído aos grandes treinadores do mundo pokémon, Kazuo Mestraz, Kevin "Silver" Guillard, Crystal Paladin e Katherine Kimura. Suas histórias estão contidas na fanfic "Pokémon Heroes", postada neste blog.



sexta-feira, 29 de abril de 2016

New Kazuo — A guerra mais antiga de todas. — Parte Final

   O exército comandado por Chaos entrou. Os 7 guerreiros esperavam por eles na praia. Kazuo, Crystal, Kate, Silver, Mewtwo, Edward e Âmber. Dois deles eram metade-humano metade-pokémon, uma era um tipo de Deusa e os outros eram feiticeiros. Contra um exército de mais de 3000 mil pokémon, 5 poderosos magos com diversas habilidades e um ser com mais poder do que Arceus.
   Um Aggron caiu na praia e avançou contra eles, mas Mewtwo usou Barrier, prendendo a primeira onda de pokémon. Ele a diminuiu até que os pokémon lá dentro tivessem sumido. Âmber se dirigiu, junto a Edward, para o Templo de Arceus. Kate e Crystal começaram a atacar com magia de fogo e água, respectivamente, enquanto Kazuo e Silver usavam seus pokémon para lutar. Weavile com Silver e Chesnaught com Kazuo. Enfrentaram os pokémon Reverse que passavam por Mewtwo.
   As ondas começavam a vir mais fortes. Alguns não eram nem vistos por Kate e Crystal, e obrava para Silver e Kazuo pará-los. Alguns voadores conseguiam caminho entre as árvores, mas eram parados por Edward antes de achar o templo.

— Eles não estão nos atacando! — Declarou Mewtwo. — São espiões, querem descobrir a localização do templo.


— Você está certo. O que faremos? — Crystal pergunta, acertando com seu bastão em um Skarmory, que se desfez em cinzas.


— Não adianta tentar derrotá-los, são muitos... droga, Silver,  me erga o mais alto que puder!


— Tudo bem. — Diz, depois de refletir o máximo de tempo que conseguia no meio daquele caos.  — Wind Magic! — Bradou. Um turbilhão de vento se formou nos pés de Kazuo, e o ergueu até acima das nuvens. Quando estabilizou, o garoto estendeu os braços. Uma horda de pokémon avançou naquele meio tempo, os 5 herdeiros observavam tudo de dentro do portal.


— Espero que dê certo. — Sua epiderme começou a ter protuberâncias, que se transformaram em espinhos, milhares, todos voltados para o portal. — Pin Machine Gun! — Os espinhos são liberados, cercados de magia, e explodem em contato com os pokémon. Kazuo aguentou o máximo que pode, e mesmo assim ainda vinham milhares. Silver o desceu, e ele caiu numa árvore para se recuperar. Chesnaught ainda tentava derrotar o exército que vinha sem medir esforços.


— Não vamos aguentar para sempre... — Declara Kate. — Precisamos de mais ajuda!


— Logo os nossos aliados virão! — Mewtwo declarou, um pouco incerto do futuro, mas com plena certeza de suas palavras. Sem mais, três bestas elementais rugiram, aparecendo junto a seus respectivos "treinadores".


— Entei! — Chamou Silver.


— Raikou! — Chamou Crystal.


— Suicune! — Falou Kazuo, cansado. A besta de água se aproximou e o curou ao tocar com seu cristal em seu peito. O céu brilhou no meio da ilha, e um pássaro colorido desceu dos céus, avançando para o portal.



pokemon pokegraphic pokeani anipoke ho-oh

A ave do arco-íris liberou um turbilhão de chamas contra o portal. Quando a esperança clamou no coração de nossos heróis, Uvogin saltou para fora e agarrou o pássaro, o forçando contra o chão. E mesmo assim o exército de Reverse pokémon não parava. Mesmo com os reforços, não era suficiente. Alguns resistiam aos ataques. Kate e Crystal estavam cercadas. Atacar era inútil. 

— Droga, aonde Lugia está?!

— Logo chegará. — Respondeu Ho-oh, num minuto de liberdade que usou para ativar sua forma Gijinka.


— Sacred Fire! — Sua mão irradiou em chamas e explodiu em sua frente, queimando hordas de Reverses e acertando Uvogin.

— Tsc. Hammer Arm! — O herdeiro de Chaos gritou, acertando um soco no abdômen do gijinka.

— Se protejam! — Mewtwo disse, levitando e criando uma grande Aura Sphere em cada uma de suas mãos, e então as juntando e lançando contra a floresta, por qual milhares de monstros invadiam. — Eu voltarei. — E avançou até o portal, coberto por um Barrier. Ele viu Chaos, junto de seus seguidores, comandando os pokémon reverse para entrarem e acharem o Templo. Mewtwo chegou no ponto médio entre um mundo e outro, e explodiu. — Psystrike! — O poder criado ao seu redor se expandiu em forma esférica, devastando centenas de Pokémon Reverse.



— Eu cuidarei deste importuno. — Disse Pride, enquanto desfazia a barreira sombria que criara para se proteger do ataque de Mewtwo. Os outros seguidores de Chaos, junto do mesmo, passaram pelo portal e se dirigiram até o topo do vulcão. Mewtwo se apressou para ir junto e detê-los, mas Pride o segurou com uma de suas sombras. — Não tão rápido.


— Cale-se! — Usou sua mão livre para lançar um Aura Sphere contra o monstro, mas o ataque nem chegou perto. O coração de Mewtwo bateu mais rápido, e também começou a suar. — Esta sensação... — Falou, assustado. Ele nunca sentira aquilo antes.


— Vocês me chamam de Pride, orgulho. Eu realmente me orgulho do que tenho, e também me acho superior. Mas vou lhe contar um segredinho. — Seus olhos se tornam vermelhos. — Eu não sou superior, vocês que se sentem inferiores perante a mim. Eu lhe causarei medo. Até que morrerá, mas ainda terá essa sensação, eternamente. — Disse.


— Não! — Mewtwo negou, tentando acertar o garoto com vários outros ataques, sem sucesso. Todos os guerreiros estavam se espalhando em busca das hordas que sobraram pela ilha, menos Kazuo. Ele ficou encarando o portal, que ficava cada vez menor. Chamou:


— Mewtwo!


— Kazuo! Vá embora! — Ordenou, puxando seu corpo para o outro lado do portal. Pride puxava com sua magia, mas percebeu que, pelo menos por ora, era inútil.. — Eu ficarei bem. Não tem mais jeito, você me salvou, eu lhe salvei, agora está tudo bem.


— Pegue! — Kazuo usou toda sua força para lançar uma esfera contra o pokémon, e ela brilhou no caminho. O portal se fechou, mas então, um brilho retornou dali e o portal se reabriu. Mewtwo saiu dali, o fechando em seguida novamente e prendendo Pride para sempre, e também destruindo a dimensão criada por Giratina. Não tinha mais volta, não tinha mais como banir todos eles em um mundo alternativo, apenas... lutar.





— Mega... Evolução?! — Falou, olhando para seu corpo. — Isso é impossível! Para um pokémon mega-evoluir, ele necessita de um laço especial com um... — Kazuo sorriu para ele, ignorando as dores que cobriam seu corpo. — humano... 

— Vamos, ainda temos uma guerra para vencer! — Kazuo disse, correndo pela floresta. Mewtwo Y o seguiu, tentando adaptar-se a sua nova velocidade.

+++

Kate e Silver foram para a floresta, e revezaram os ataques para não desperdiçar magia. Um Raichu salto de entre as sombras e tentou um ataque contra Silver, que se recuperava do último, mas o Delphox de Kate o defendeu, usando um Flamethrower. 

— Está tudo bem? — A raposa perguntou, assustando Silver. 


— V-v-v-você fala? — Silver perguntou, encostado na parede com uma expressão de susto.


— Bem, acho que sim... talvez? — Delphox olhou para as próprias mãos. — Espera aí, cadê a Kate e o Braviary? — A raposa olhou ao redor, e então fechou os olhos, que brilharam. O brilho atravessou suas pálpebras e então ela os abriu. — Venha. — O pokémon de fogo avançou por entre as árvores, e Silver a seguia, na mesma velocidade, graças a sua magia do vento.

— Agora teremos nossa vingança! — Disse Uvogin, alegre, vindo de algum lugar ali perto. Delphox agarrou a boca de Silver com a mão e se encostou num tronco.

— Vai... sonhando... — Falou Kate, devagar. Braviary estava jogado num canto, debilitado, junto a Ho-oh, que estava no mesmo estado.

— Primeiro o ruivinho, ele parece ser mais forte. Será que o vento obedece a ele mesmo morto? — Uvogin brincou, sem soltar o pescoço Kate. Uma expressão de terror tomou conta do rosto de Silver e Delphox. — Sim, eu vejo vocês aí. Aprendam a ocultar seu poder antes de virem me enfrentar! — O brutamontes arriscou um soco contra o tronco, que provavelmente seria destruído, e a raposa, junto ao mago, também.

— Sacred Fire! — Gritou o gijinka de Ho-oh, se levantando e acertando Uvogin com uma carga gigante de chamas, e se pôs na frente de Kate, erguendo o braço e deixando sua palma da mão em frente de Uvogin. — Últimas palavras?

— Extreme... Speed! — O seguidor de Chaos avançou, desviando da mão do gijinka lendário, tentando acertar o lendário com vários socos, mas o mesmo desviou de cada um deles. — Strenght! — Parou de atacar afobadamente para reunir seu poder num único braço.

— Esse é o problema de catalizadores. — Delphox disse, chegando ali rapidamente antes que o pokémon voador fosse acertado. — Ember. Falou, cuspindo uma bola de fogo no peito do homem, o jogando para fora do vulcão.

— Como fez isso? — Perguntou Kate. — Wait, você... fala?! 

— Ele é um catalizador, sua magia se baseia em acumular poder em uma única parte do corpo, deixando as outras desprotegidas. — Explica a raposa. — É, também estou surpreso.. — Ho-oh volta a forma de pokémon e Kate sobe nele.

— Você vem? — Ho-oh pergunta a Delphox.


— Não, vou ficar para proteger o templo, e cuidar do Braviary. — Delphox aponta com a cabeça para o pokémon pássaro, que tinha seu treinador abaixado ao seu lado e murmurando algumas palavras. Então, o mago do vento se virou e correu um pouco até ter velocidade suficiente para ativar o voo. Logo, estava no topo do vulcão, olhando para Caos em fúria.
 Lugia e os três pássaros se aproximam, trazendo consigo um exército de pokémon. Os Reverse Pokémon que sobreviveram até ali não se preocuparam com aquilo, seria fácil derrotá-los, talvez. Zapdos arregaçou metade deles num único Thunder, os que restaram, foram trabalho de Articuno e Moltres. O pássaro do trovão seguiu junto a seu mestre para o topo do vulcão, local de onde Ho-oh se aproximava.





— Gijinka Form! — Lugia bradou, se aproximando de Ho-oh perto do topo da montanha e caindo de joelhos no chão sólido. Ho-oh faz o mesmo, com Kate caindo ao seu lado. Silver estava mais a frente, num pequeno confronto contra Kaito.



Mewtwo e Kazuo finalmente alcançaram o topo, ao mesmo tempo que Âmber, que chegou ali voando. Edward e Crystal continuavam de guarda do lado de dentro do templo, que sofria com ataques constantes de Reverse pokémon. Ao receber aquelas informações, Chaos estava pronto para destruir o vulcão e encontra-lo.


— Âmber! Quanto tempo! Como está seu pai? Ah pera, eu o matei. — Diz Chaos, brincando. Um vilão sarcástico, que coisa genial e inovadora. 


— O quê?! Claro que não! — Âmber retrucou, trovões retumbaram, tão altos que assustaram até mesmo Zapdos, que não esperava por aquilo.


— Tente, invoque-o. — Desafiou. Ele sabia que era impossível, mas queria deixar a garota com raiva. Como matar um deus era impossível, ele o prendeu numa esfera extra-dimensional. Agora ele não poderia ser invocado, nem vir para o nosso mundo.


— Ó grande Zeus... — começou, mas não sentiu o poder que sempre sentia ao pronunciar aquelas palavras. Aquilo não seria possível, a não ser que... um grande ódio, maior ainda do que o anterior, se desencadeou na ninfa, que liberou toda sua fúria num único golpe, contra Chaos, mas este fora absorvido por Laxus, que apareceu num retorno épico.


— Achei que ninfas fossem mais fortes. — Disse. — Thunder Whip! — Dois chicotes elétricos saíram da mão de Laxus, e ele o usou para golpear Âmber, que os segurou sem muito esforço e puxou para trás, iniciando uma batalha em queda livre contra o seguidor de Chaos, que lutava usando o mesmo elemento. Zapdos os seguiu, temendo que a ninfa precisasse de ajuda.

   Chaos flutuava brincando com os próprios cabelos brancos. Não se importava em só ter mais um seguidor vivos, levando em conta que Laxus morreria na batalha contra Âmber. Parecia ter planejado tudo aquilo, e então começou a rir.

— MAUHAUHAUAHUAHUAHUAH — Ria, histericamente, tendo certeza que triunfaria. Os quatro magos recém-treinados se puseram em posição de combate. — Quatro magos que mal dominam a magia contra eu e meus seguidores que mataram os seres mais poderosos do universo? E, mesmo que usem todos os pokémon do mundo, não derrotarão meu exército de Reverses.


— Se você diz. — Disse Silver, recuperando os sentidos na mesma velocidade de sempre. — Venceremos com o poder da luz! — E seu corpo brilhou, mas Kaito o impediu.


— Acha que estamos num Shounen? Idiota! — Chaos gritou, e Kaito avançou, perfurando o corpo do ruivo com sua foice. O mesmo cuspiu sangue, que também jorrava de seu abdômen. Caiu. Seus cabelos ruivos logo foram tomados pelo sangue, e todos ali não podiam fazer nada para impedir. Kaito os segurava com sua magia.


 — Falando nisso, como Giratina também está morto, sua alma volta a você, assim como sua mortalidade. — Chaos diz, como se fosse algo óbvio. Quando achou que estava no pior de sua vida, Silver vendera sua alma a Giratina, ganhando mortalidade, mas pecando aos mais luxuriosos desejos do pokémon. Não se orgulhava daquela época, quando serviu de assassino particular do deus da morte.


— Saia de perto dele AGORA! — Gritou Kate, lançando um Flamethrower contra Kaito, o forçando a sair de perto do ruivo. — Kevin, está tudo bem? — Perguntou, se aproximando. A poça de sangue manchou seu vestido negro. Kazuo se colocou na frente dos dois e usou sua magia para transmutar seu braço em madeira novamente. As bestas elementais surgiram ali, para auxiliar os magos. Chesnaught agora defendia o templo junto aos outros, tentando resistir ao máximo.

   Lugia atacava Chaos, junto a Ho-oh e Mewtwo, mas o grande ser imortal apenas desviava, sem nem mesmo tentar revidar.
Laxus tinha acabado de ser morto por Âmber, e os Reverse também tinham acabado. Só faltava derrotar Chaos. Silver estava caído no chão, e Kate estancava o ferimento usando seu poder de fogo. Kazuo estava na frente deles, e Âmber avançava para enfrentar Chaos.

— Thunder! — Âmber gritou, disparando um relâmpago contra Chaos, que desviou.


— Inútil. — Alegou. — Sinta o que é magia de verdade! — Bradou, criando um kanji negro na frente de sua mão. — Anihilation! — O poder liberado foi muito mais forte do que o esperado, indo em direção aos três feiticeiros, Kazuo, Kate e Silver, mas Âmber se pôs na frente deles, criando um espelho mágico que bifurcou o golpe em 6 raios.


— Você é realmente muito burra, Âmber. Acha mesmo que eu iria disparar um golpe a queima roupa contra vocês? Eu sabia que iria refleti-lo, portanto, o ataque agora está indo em direção a cada uma das regiões. — O homem dizia, ele ria por dentro, se deliciando com o fato de que logo tudo estaria destruído, como ele queria. — Agora escolham entre mim e toda a humanidade. 


— Seu idiota, se acha que vamos lhe deixar fazer algo assim... — Silver esticou o braço esquerdo, e criou uma esfera que reuniu vento, criando assim uma esfera de ar. 


— Não se esqueça do que lhe falei antes: agora é mortal, Giratina está morto, e sua alma volta para si. — Chaos alertou. — Ou melhor,  pode esquecer, já que irá morrer agora! — O homem de cabelos brancos levantou o braço, fazendo com que uma onda de poder fosse projetada na direção de Silver, cortando o seu braço fora.


— AAAAAAAARGH! — Silver gritou, quase desmaiando de dor. Kate não sabia se sentia raiva, medo, ou qualquer outra coisa.


A loira se levantou, e esticou um dedo para Chaos.


— Por todos os meus amigos que morreram hoje... — O corpo da garota começou a brilhar. — Em nome de todos os que já sofreram ou sofrem por sua causa... — O brilho ficou mais intenso, então Chaos estalou o dedo, fazendo com que Kate e Silver fossem projetados para longe. Ao que parecia, eles seriam lançados no mar e morrer no impacto, mas algo impediu. Uma barreira luminosa surgiu ali, como se estivesse todo o tempo ali, cobrindo a ilha como um domo. A barreira os curou, até mesmo o braço de Silver voltou.


— Eu já disse, isto é a vida real, não um anime Shoun... — o mago percebeu a barreira que curou os noivos. — Talvez isso seja um anime Shounen... maldito fandom. — Os dois avançaram, juntos, e Silver guiou o vento para fazê-los voar até o mestre da destruição, o acertando com seus golpes em união. 


— Fiery Wind! — Um vento mágico surgiu da palma da mão dos dois, um vento incandescente que queimava com o poder de mais de mil sóis em explosão. O poder destroçou o corpo físico de Chaos. Ou pelo menos sua pele. O que restou ali, plena carne, que logo se recuperou.


— Eu já disse, e volto a dizer: Este mundo será meu, não importa o que vocês façam. Agora, façam-me um favor e vão proteger a porra da humanidade! 


— Thunder! — Âmber gritou, aparecendo ali. Chaos parou seu ataque com apenas um dedo.


— Garota, será que não morre nunca? — Chaos perguntou, vendo a insistência de sua inimiga. — Vá embora de uma vez! Life-Taking Magic! — Um Kanji vermelho se formou na frente de Chaos, e o mesmo começou a sugar a magia de Âmber, que urrou de dor.


— S...a...ve....hum....ani....ty.... — Âmber dizia, como se não conseguisse reunir ar para respirar, como se fosse um humano com os pulmões perfurados. E então ela desapareceu. Simples assim. Sem uma morte trágica ou sangue derramado. Ela simplesmente sumira dali. Para sempre. Chaos olhou para os magos, que o encaravam.


— O que foi?! Eu arranquei a língua de vocês?! — Tanto sangue derramado, já estava se tornando algo normal para eles. Mas agora Âmber, a garota que lhes apresentara Edward, que os ajudara todo aquele tempo. Tudo aquilo, tinha sumido. Para sempre. Agora ela estava morta. Inconscientemente, os olhos de Silver começaram a lacrimejar, assim como os dos outros magos. Todas as outras mortes agora pareciam nada comparadas aquela. E então eles atacaram. Silver saltou, criando uma lâmina de ar, com qual cortou fora o braço de Chaos, e, pela primeira vez em três mil anos, ele não se regenerou. Mas revidou, lançando Silver para longe com um único gesto. Fúria tomou seu rosto, como se aquilo fosse uma tremenda heresia. — ULTRAJE! MERECES A MOR... — Kate, num salto, agarrou o pescoço do ser e ativou suas chamas, queimando a garganta dele até que palavras não pudessem mais ser pronunciadas. Kazuo usou seu braço de madeira para acertar seu abdômen com toda a força. Chaos expeliu sangue. Ou algo que lembrava sangue.

— Você irá pagar, por toda a eternidade! — Kate gritou, junto a Kazuo, e os dois tentaram um ataque final juntando os punhos para um soco final. Chaos desviou daquilo e ergueu sua perna para derrubar Kazuo, levando Kate junto e jogarem-nos contra o chão rochoso do pico do vulcão levitando o corpo dos dois.

— Mfgmfgm mdfmd.... — Tentava dizer, mas sua garganta queimada o impedia. E então, quando tudo parecia perdido, algo brilhou no horizonte. Crystal saltou, e usando seu bastão, ergueu uma tsunami e a direcionou para Chaos, que foi levado pela enxurrada até a floresta que cercava o vulcão. Crystal guiou uma bolha de água para a levar até o local aonde os amigos estavam.

— Acharam que eu ia ficar de fora? — Disse, alegre. Mas então olhou para o rosto dos amigos. — Espera, cadê a Âmber? — Fora uma pergunta retórica. Se ela não estava ali... — e Mewtwo? — Aquilo acendeu a chama da pergunta neles. Aonde estava Mewtwo? Até o ataque de Silver e Kate em conjunto, ele estava ali. Crystal percebeu Chaos se levantando, e saltou para acertá-lo com o bastão azul pontudo. Chaos o segurou, e lançou Crystal para longe, se levantando em seguida.

— Eu já disse que não morrerei. — Seu braço agora se regenerava. Ele avançou vagarosamente para Crystal, que estava com seu braço preso pelo tronco de uma árvore que caíra numa batalha anterior. — Diga adeus para o céu e o mar, Crystal Guillard. Anihilattion! — A palma da mão de Chaos brilhou direcionada para o rosto da garota de olhos azuis. Quando o ataque foi disparado, um vulto passou diante de Chaos, sumindo com Crystal dali e voltando para o Templo de Arceus, a colocando no chão diante de Delphox. O Deoxys, que acabara de salvar a vida de Crystal, agora se arriscava para trazer Kate, Silver e Kazuo também. Em rápidas viagens, logo todos estavam ali, esperando por Chaos. 

— Deoxys?! — Delphox exclamou, vendo o pokémon alienígena em sua frente.

— Você fala? — Kazuo se assustou um pouco, já vira coisas mais estranhas.

— É. — Respondeu para Kazuo, e então olhou para Deoxys.

— Sim. Mewtwo me convenceu, por incrível que pareça. — Nesse momento, Mewtwo apareceu atrás dele.

— Chaos está chegando, se preparem. — Avisou, se posicionando no lado esquerdo do domo de raízes. Era possível ouvir a destruição da floresta no lado de fora. — Agora somos só nós. Se não o pararmos, o mundo está perdido... 

— Certo, que tal um pouco de pensamento positivo? — Kazuo sugeriu, ele não era bom com situações de tensão. — Talvez uma técnica mágica que aumente nossos poderes, ou um elixir da imortalidade? — Arriscou, olhando para Mewtwo.

— Nada. Apenas sua magia e coragem. Preciso ser sincero, não tenho certeza de que isso será suficiente. Ho-oh e Lugia fugiram, sabendo que iam morrer. Se mais alguém quiser ir com eles, é melhor se retirar. Não vou lutar ao lado de quem tem medo da morte. — Mewtwo olhou para Silver com o olhar semicerrado.

— Sob hipótese alguma eu teria medo da morte. — Silver declarou, dando um passo a frente. Kazuo fez o mesmo, mas então olhou para trás. Kate já tinha passado por aquilo, era normal que restassem alguns traumas. Mas então ela deu um passo a frente. Crystal pensava em Peter, seu filho, que agora estava vendo o céu escurecer, e pensar o que estava acontecendo com seus pais. Agarrou a mão de Kazuo e o olhou nos olhos.

— Krys... — Kazuo disse, como se lesse seus pensamentos. — vai ficar tudo bem. — confortou, abraçando sua esposa. A porta do domo começa a escurecer. Chaos estava do lado de fora. A escuridão tomou conta de todo o local, e gotas começaram a cair. Uma delas acertou a cabeça de Kate, eliminando a magia de esquecimento colocada por Âmber para que ela nunca se lembrasse do que acontecera enquanto estava morta. Todas as lembranças vieram à tona. Ela se ajoelhou, e começou a gritar. Silver tentou se aproximar, mas a gota que o acertara o trazia insegurança, ele não conseguia olhar para Kate sem sentir culpa. Se afastou até encostar as costas na completa escuridão que formava uma barreira atrás de si. Kazuo se juntou a Crystal e deram passos para perto do túmulo de Arceus. Mewtwo e Deoxys estavam como que paralisados, mas então olharam para trás. Seus olhos totalmente vermelhos e negros. Eram Reverse pokémon agora. Delphox e Chesnaught saltaram para perto de seus treinadores, e tentavam afastar as sombras que se moviam junto a eles com ataques. — Crystal, você confia em mim?

— Total e plenamente. — respondeu. Era uma piada interna que possuíam. Sempre que podiam, respondiam um ao outro com duas palavras como essas, "total e plenamente, completa e apaixonadamente, infinita e amigavelmente". Kazuo agarrou sua mão e a beijou, talvez pela última vez, e se ajoelhou em frente ao túmulo, erguendo suas mãos e liberando altas quantidades de magia. Aquilo poderia matá-lo. Crystal encarava-o, enquanto olhava para frente e tentava comandar Delphox e Chesnaught para derrotar Deoxys e Mewtwo. Por fim, Kazuo conseguiu quebrar o selo mágico, usando quase todo de seu poder mágico. Com o que restou, usou uma parte para acertar a porta do Domo, acertando Chaos e perfurando sua barriga. Do túmulo, um raio foi liberado na direção do céu, que outrora negro, agora se iluminava com o poder de Arceus, que agora aparecia na frente de Kazuo. O pokémon Deus atravessou o campo.

— Judgement! — Gritou, erguendo a mão. Um flash de luz apareceu a partir de sua mão, e quando cessou, nem Arceus, nem Chaos, nem Silver estavam mais ali.


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Mais de um ano escrevendo isso, mesmo com os diversos hiatos, obrigado a todos que leram pelo menos um capítulo dessa história. Eu admito que teve vezes - várias - que eu quis desistir, começar outra coisa. Eu até fiz isso, mas nunca fui tão longe como fui aqui. Obrigado principalmente à Shiny Glaceon e Davi Sobral, os meus leitores mais queridos entre os poucos que tenho, talvez os únicos, já que estes me inspiraram nos momentos difíceis. Bem, ainda temos o epílogo que contará o que acontece depois destes eventos, mas no mais, é apenas isso. O epílogo é praticamente opcional, só terá um pouco sobre Peter, como o mundo reage sobre isso, e é praticamente o que fecha o fim.

So, That's all folks.